Os filmes que integram as competitivas Internacional, Brasil e Minas concorrem ao Prêmio do Júri Oficial, que concede ao vencedor o Troféu Capivara, além do prêmio em dinheiro no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais).
Os filmes das mostras paralelas e competitivas também concorrem ao Prêmio Júri Popular, que concede ao vencedor o Troféu Capivara, além do prêmio em dinheiro no valor de R$3.000,00 (três mil reais).
Em 2025, foi criada uma nova modalidade de premiação, concedida pela organização do festival a artistas, coletivos e trabalhadores do cinema em várias frentes como a crítica, pesquisa, produção, curadoria que ao nosso ver se destacam em sua vitalidade estética, política e social. Trata-se do Prêmio José Zuba Júnior, nomeado em homenagem ao criador do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, que criou este espaço de partilha e encontro com o cinema de curta-metragem em 1994.
Mostra Competitiva Internacional
Vivemos em um tempo em que as imagens agenciam o mundo. Essa seletividade, em maioria ocidental, constrói uma história marcada por assimetrias: mercantiliza identidades, estetiza violências e perpetua ausências. Pensar no cinema hoje é reconhecer sua possibilidade política, mas também suas repetições. A linguagem cinematográfica não é neutra, ela carrega matrizes culturais, econômicas, históricas e todos os filmes que vimos durante a mostra ilustram isso; Suffren age, correndo riscos na determinação de um cinema territorializado. “Sonhos como barcos de papel”, é ativamente a história que se passa agora, com muitos de nós ou próximos a nós quando pensamos em guerras, genocídios, diásporas ou êxodos. Afinal, este curta conta exatamente uma fração de uma nação violentada pela colonização que, mesmo sendo a primeira independente do mundo, a partir da revolta negra, segue repercutindo a consequência dessa violência.
Pensar que em preto e branco – a origem do cinema – se constrói um aprimoramento da linguagem audiovisual em seu ápice tecnológico, na forte carga estética e narrativa, sofisticada mesmo na ruína: essa da perda de tudo, onde não há o sustento econômico e, para buscá-lo, se perde os afetos, a cultura. Tudo isso através do drama de um núcleo familiar que subverte as normas de gênero que somos inseridas, em uma narrativa marcada pela emigração forçada. Sob a perspectiva de quem permanece, o filme estabelece um marcador temporal: a presente ausência de quem partiu em busca de uma oportunidade, mantém vivo o passado, ao mesmo tempo que a criança cresce, mas a realidade econômica não se modifica
Menções Honrosas
Em um contexto político-religioso que lhe nega a existência e a manifestação de seus desejos como mulher e, sobretudo, como mulher lésbica, além de extinguir diversos outros direitos; uma cineasta insurge de forma corajosa e alquímica, tecendo uma contranarrativa. Vimos, em duas décadas, um determinado cinema iraniano se afirmar como referência estética e discursiva; o filme de Maryam Tafakory reacende — e arde como o fogo — toda a opressão e o silenciamento impostos às mulheres. A força de sua expressividade, manifestada em textos, desenhos, cores e montagens, transforma-se em um ato de vingança simbólica que, para nós, mulheres, soa como um despertar. Afinal, diante de tantas violências, por quanto tempo ainda poderemos nos manter anestesiadas?
Maryam representa uma nova geração que ergue sua voz e enxerga as conexões ocultas e soturnas que sustentam o florescimento de nossas vidas e, por isso, o Júri Internacional do 27º FESTCURTASBH o concede Menção Honrosa a “Flores Noturnas de Daria”.
Mostra Competitiva Brasil
Um filme que convoca ao afeto através da afetação. Em uma aposta sem medo na apropriação da linguagem do mundo digital, que usa do deboche e do cômico para falar sobre amizade e coletividade. Uma obra que expande a noção de queer para além da representatividade LGBTQIAPN+ trazendo a dimensão da descentralização regional, classe e inventividade formal, o prêmio do Júri vai para AMERICANA.
Menções Honrosas
Através do mistério e revelação de um dispositivo, por criar uma atmosfera de imagens e sons que faz jus ao tema cinema-feitiço, o júri concede uma menção honrosa a CARTAS DO ABSURDO. Um trabalho que aposta na sustentação de duração e no encanto entre montagem, palavra e superfície.
Mostra Competitiva Minas
Neste filme, o erotismo é tratado como textura, atrito entre cidade e corpo, sonolências, ressonâncias. O corpo que pesa, que dorme pesado. O corpo ao mesmo tempo circunscrito ao espaço íntimo e em deriva pela cidade. Por sua coragem estética, pela consistência de sua proposta formal e pelo modo singular como habita o espaço erótico-urbano, o júri confere o Prémio de Melhor Filme da Mostra Minas a “Núbia”, de Bárbara Bello.
Menções Honrosas
O filme habita o entre-lugar do sonho e da memória, num gesto de canto e encantamento. O real, com seus tempos e seus corpos, pulsa em liberdade, reinventado na ficção. O júri confere Menção Honrosa da Mostra Minas ao filme “Princesa Macula e o Canto Triste”, de Mayara Mascarenhas.
Júri Popular
O filme é uma celebração ao legado de Maria Gregório Ventura, a Dona Tita, matriarca do quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira. Aos 100 anos, ela compartilha os saberes e memórias de uma vida ancestral” (Gabriel Araújo, membro da comissão de seleção do Festival).
Prêmio José Zuba Júnior
Projeto “Luz Câmera, Escola em Ação”, da Escola Municipal Newton Amaral Franco (Contagem, Minas Gerais)
Reconhecendo os seus impactos na educação pública por meio da produção curta-metragista, o FestCurtasBH concedeu o prêmio ao projeto “Luz Câmera, Escola em Ação”, desenvolvido na Escola Municipal Newton Amaral Franco, em Contagem, sob coordenação da professora Sheila Rodrigues. Criado em 2017, o projeto, que aposta na vocação educativa do cinema, envolve estudantes de todas as idades na criação de roteiros, na gravação e na finalização de filmes que abordam temas sociais como preconceito, racismo, meio ambiente e amizade. O projeto, que já circulou por 57 festivais nacionais e internacionais, participou novamente do FestCurtasBH, neste ano, com os curtas “O Gato” e “A Natureza”, que encantaram programas voltados para o público infantil.