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28º FestCurtasBH começa, com festejos de cinema e música, no dia 30 de outubro: confira a programação

Entre 30 de outubro e 8 de novembro, o Palácio das Artes recebe o 28º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte. Com  3.340 filmes inscritos, provenientes de 86 países, o FestCurtasBH evidencia a diversidade de olhares que compõem o cinema contemporâneo, apostando na experimentação e ruptura com convenções formais e estéticas. Entre os curtas inscritos, 1.305 foram brasileiros e 2.035 internacionais. Desse conjunto, foram selecionados 96 curtas-metragens para as mostras competitivas e paralelas, que somados às obras de três mostras especiais totalizam 127 filmes na programação. 

Nesta edição, que se inicia sob os festejos e cortejos da Orquestra Mineira de Brega, na noite do dia 30, o festival reafirma seu compromisso de abrir espaço para produções contemporâneas e de revisitar, em perspectiva histórica, cineastas e conjuntos de obras que marcaram a trajetória do cinema mundial. Neste ano, além das três mostras competitivas – Internacional, Brasil e Minas – e das quatro mostras paralelas tradicionais – Infantil, Juventudes, Animação e Maldita –, a programação apresenta as mostras “Presenças Fantasmagóricas”, “dHIPloma de HOPosição: uma cinematografia social” e “Fuga e Memória”, pensadas a partir dos filmes inscritos e analisados pela equipe de seleção. Já as três mostras especiais, elaboradas por curadores convidados, exercitam um olhar (contra)historiográfico, mirando diferentes territórios de cinema.

A Mostra CORCINA, carro-chefe desta edição do FestCurtas, reúne 19 filmes produzidos pela cooperativa que operou no Rio de Janeiro  entre os anos de 1978 e 1981, propondo uma imersão em uma das cinematografias mais emblemáticas do cinema brasileiro no formato curta-metragem. O retorno à CORCINA retoma a reflexão sobre a autonomia do cinema brasileiro, em voga nos tempos atuais a partir de debates como a cota de telas e a regulação do streaming. 

A cooperativa surgiu como forma de pressionar e impulsionar a Lei do Curta – artigo 13 da Lei Federal nº 6.281, de 9 de dezembro de 1975 –, que tornava obrigatória a exibição de um curta brasileiro antes de cada longa estrangeiro. Ao entrar em vigor, a lei inaugurou um gigante mercado de curtas-metragens, provocando um surto muito peculiar na história do cinema brasileiro, marcado pela difusão de um formato específico – curtas em 35mm, de seis a 14 minutos –, atrelado a um mecanismo de exibição compulsória, regulado pelo Concine e mediado pela Embrafilme. Entre 1978 e 1983 a CORCINA produziu mais de 60 curtas, distribuindo cerca de 100 através da Lei do Curta, abrindo uma frente de diálogo de democratização do acesso ao cinema nacional pelo povo brasileiro. 

A curadoria da mostra é assinada pelo pesquisador e realizador Lucas Parente. Além das exibições, será realizado o debate “Forjando Autonomia – A CORCINA e o Estado das Coisas” com a participação de Lucas Parente e da pesquisadora e professora Lila Foster, além dos realizadores : Lúcio Aguiar, Sérgio Péo  e Maria Luiz d’Aboim. A atividade acontece no dia 5 de novembro, às 21h, no Cine Humberto Mauro. 

A Mostra CinéCollages, por sua vez, apresenta seis filmes – “Duo Concertantes” (1964), de Larry Jordan; “Estúdio Bankside” (1971), de Derek Jarman; “Sol” (1988), de Pierre Clémenti; “(William Burroughs: Prece de Ação de Graças” (1991), de Gus Van Sant; “A história deles” (2014), de Valérie Mréjen e Bertrand Schefer; e “Ultra Pulpe” (2018), de Bertrand Mandico – que foram elaborados de forma mais livre, a partir de uma lógica artesanal do scrapbook longe das lógicas tradicionais de produção cinematográfica. A programação tem curadoria de Matthieu Orléan, curador da Cinemateca Francesa, que estará presente no festival para apresentar a mostra e integrar o júri da Mostra Competitiva Brasil.  

Por fim, a Sessão Sara y Rosa: feminismos latino-americanos é apresentada pela plataforma de crítica feminista Sara y Rosa e exibe quatro filmes.  A programação tem seleção assinada por Juliana Gusman e como tema “As fictícias fronteiras do lar”, mote do primeiro ciclo do Cineclube Ibero-americano Permanente, parceria iniciada em 2026 entre a plataforma, o Cine Humberto Mauro e o Instituto Cervantes de Belo Horizonte.  A sessão reúne obras de diretoras que afrontaram a domesticidade vigente e exerceram pioneirismos em seus respectivos países: Sara Gómez, em Cuba; Valéria Sarmiento, no Chile; Patrícia Restrepo, na Colômbia; e Helena Solberg, no Brasil. 

O Festival também reafirma a sua dimensão formativa, sobretudo com a realização da Oficina Corpo Crítico, que neste ano chega a sua oitava edição. Com o tema “Escritas em trânsito: traduzir, desordenar e dançar”, a oficina é realizada, neste ano, em parceria com o Instituto Cervantes e será conduzida por Juliana Gusman e a costa-riquenha Maria José Merino, que fazem parte da plataforma Sara y Rosa. A oficina tem como objetivo estimular a reflexão crítica, da teoria à prática. Os participantes, previamente selecionados, produzirão críticas sobre os filmes exibidos no festival. A atividade, gratuita,  acontece nos dias 2, 3, 4 e 5 de novembro, de 10h às 12h30, no Palácio das Artes, com carga horária total de 10h. 

A Masterclass Desenho de Audiência e Distribuição de Curtas-Metragens aborda a distribuição de curtas-metragens a partir de uma perspectiva expandida e integrativa do ecossistema audiovisual. O encontro dedica-se a identificar desafios e mapear oportunidades de circulação, contemplando desde projetos em desenvolvimento ou pré-produção até obras já finalizadas. Combinando exposições teóricas, análises de casos e atividades colaborativas, a atividade constrói ferramentas estratégicas que resultam em um legado prático para a circulação das obras e a trajetória das pessoas participantes. Ministrada por Marina Tarabay, no dia 6 de novembro, às 10h30, a oficina será realizada no Cine Humberto Mauro, com carga horária de 2h e máximo de 132 participantes. Os interessados deverão retirar ingresso na bilheteria do Cine Humberto Mauro. A oficina é realizada em parceria com a Paradiso Multiplica.

A programação completa pode ser consultada aqui. 

O “28º FestCurtas BH” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e pela Prefeitura de Belo Horizonte. As atividades do evento têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo, Apoio da MGS, Apoio Cultural do Instituto Cervantes de Belo Horizonte, Embaixada da França no Brasil e Paradiso Multiplica, e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura de Minas Gerais.